A MORDER OS CALCANHARES DO PODER

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Sobre bestas,cabrestos, ou o baixo nivel de uma certa classe politica em Portugal

Durante o debate do Estado da Nação, o Ministro da Economia Manuel Pinho demonstrou toda a classe e grandeza que possuem certo tipo de individuos que andam na politica.


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Quinta-feira, Julho 02, 2009

O Bem Comum




in. El País

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

"Há muita mitologia que precisamos desmontar" - Noam Chomsky:

"Nesta entrevista Noam Chomsky fala do desenrolar da crise económica actual e afirma: “Há muita mitologia que precisamos desmontar, incluindo aí o que diz a respeito do grande crescimento e da redução da pobreza”. Chomsky destaca o novo papel que a América Latina vem desempenhando no mundo e aponta a abertura de uma janela de oportunidades para mudanças na actual ordem político-económica global.
Entrevista de Simone Bruno* (pela Agência de Prensa Alternativa Humanista "Sur" (APAHs), disponível em Carta Maior

Como explicar que, apesar de muita gente ter visto a crise a aproximar-se, aqueles que estavam na liderança dos governos e das economias não se mostraram preparados para enfrentá-la?

Noam Chomsky: As bases para a crise eram previsíveis. Um factor constitutivo da liberalização financeira é que haverá crises frequentes e profundas. De facto, desde que a liberalização financeira foi instituída há cerca de 35 anos, estabeleceu-se uma tendência a incrementar a regularidades crises, e crises cada vez mais profundas. As razões são intrínsecas e entendidas: têm a ver fundamentalmente com as bem conhecidas ineficiências dos mercados. Assim, por exemplo, se você e eu fazemos uma transacção, digamos que me vende um automóvel, podemos fazer um bom negócio para nós mesmos, mas não consideramos o efeito sobre os outros.

Se eu compro um automóvel, aumenta o uso da gasolina, aumenta a contaminação, o congestionamento, etc. Mas não levamos em conta esses efeitos. Isto é o que os economistas chamam de externalidades, que não são consideradas nos cálculos do mercado. Estas externalidades podem ser enormes. No caso das instituições financeiras, são particularmente grandes. A tarefa de uma instituição financeira é assumir riscos. Se é uma instituição financeira bem administrada, digamos, a Goldman Sachs, ela considerará os riscos para si própria, mas a expressão crucial aqui é "para si própria". Não leva em conta os riscos sistémicos, os riscos para o conjunto do sistema se a Goldman Sachs tiver uma perda substancial. Isso significa que esses riscos são subestimados. Assume-se mais riscos do que se deveria tomar num sistema eficiente que leva em conta todas as implicações. Assim, esta fixação errónea de preços integra-se simplesmente como parte do sistema do mercado e da liberalização das finanças.

Como consequência dessa subestimação de riscos, estes passam a ser mais frequentes e quando há fracassos, os custos são mais altos que o esperado. As crises passam a ser mais frequentes e mais graves à medida que o alcance e o volume das transacções financeiras aumentam. Tudo isso se amplifica ainda mais pelo fanatismo dos fundamentalistas do mercado que desmontaram o aparato regulador e permitiram a criação de instrumentos financeiros exóticos e opacos.

É um tipo de fundamentalismo irracional porque fica claro que o enfraquecimento de mecanismos regulatórios num sistema de mercado incorpora um risco de crise desastrosa. Trata-se de actos sem sentido, salvo para o interesse no curto prazo dos senhores da economia e da sociedade. As corporações financeiras podem, e conseguiram, colher enormes lucros no curto prazo ao empreender acções extremamente aventureiras, incluindo especialmente a desregulação, que trazem dano à economia em geral, mas não para elas, ao menos no curto prazo que é o que orienta o seu planeamento.

Nos EUA, os salários reais permaneceram praticamente estancados para a maioria durante trinta anos.

Chomsky: Não se podia prever o momento exacto de uma crise severa, nem se podia prever o alcance exacto da crise, mas era óbvio que ela viria. De facto, ocorreram crises sérias e repetidas durante este período de desregulação crescente. Só que até agora não tinham golpeado tão duramente o centro da riqueza e do poder, mas sim, sobretudo, os países do chamado terceiro mundo. Vejamos o caso dos Estados Unidos. É um país rico, mas para uma maioria substancial da população, os últimos trinta anos provavelmente figuram entre os piores da história económica norte-americana. Neste período, não ocorreram crises massivas, grandes guerras, depressões, etc. No entanto, os salários reais permaneceram praticamente estancados para a maioria durante trinta anos.

Para a economia internacional, o efeito da liberalização financeira foi bastante daninho. Líamos na imprensa que os últimos trinta anos, os do neoliberalismo, mostraram o maior decréscimo da pobreza na história do mundo, um enorme crescimento, etc. Há algo de verdade nisso, mas o que falta dizer é que a diminuição da pobreza e o crescimento ocorreram em países que não seguiram as regras neoliberais, como ocorreu no leste asiático. E os países que observaram tais regras sofreram gravemente, como ocorreu na América Latina.

Joseph Stiglitz escreveu recentemente que esta última crise marca o fim do neoliberalismo. Chávez, durante uma colectiva de imprensa, disse que a crise poderia ser o final do capitalismo. Qual dos dois está mais próximo da verdade?

Chomsky: Em primeiro lugar, devemos ter claro que o capitalismo não pode terminar porque nunca começou. O sistema no qual vivemos deve ser chamado de capitalismo de Estado, não simplesmente capitalismo. No caso dos Estados Unidos, a economia se apoia muito fortemente no sector estatal. No momento, há muita angústia sobre a socialização da economia, mas isso é uma grande brincadeira. A economia avançada de alta tecnologia e similares sempre dependeu amplamente do sector dinâmico da economia estatal. É o caso da informática, da internet, da aviação, da biotecnologia, quase tudo o que está à vista.

Temos um sistema de socialização dos custos e riscos e privatização dos lucros.

Chomsky: O Massachusetts Institute of Technology (MIT), de onde estou a falar, é uma espécie de funil no qual o sector público despeja o dinheiro e de onde sai a tecnologia do futuro, que será entregue ao poder privado para que saquem os lucros. Então, temos um sistema de socialização dos custos e riscos e privatização dos lucros. Isso não ocorre somente no sistema financeiro, mas em toda economia avançada.

De modo que, para o sistema financeiro, provavelmente o resultado será mais ou menos o descrito por Stiglitz. É o final de uma certa era da liberalização financeira conduzida pelo fundamentalismo de mercado. O jornal Wall Street Journal lamenta que Wall Street, tal como a conhecemos, tenha desaparecido com a derrocada da banca de investimentos. Alguns passos serão dados na direcção da regulação. Isso é certo. No entanto, as propostas que estão sendo formuladas, por mais extensas e severas que sejam, não mudam a estrutura das instituições básicas subjacentes. Não há nenhuma ameaça ao capitalismo de Estado. Suas instituições fundamentais seguirão sendo as mesmas, talvez, inclusive, sem grandes sacudidas. Elas podem ser reacomodadas de várias maneiras. Alguns conglomerados podem absorver outros, alguns podem ser semi-nacionalizados tibiamente, sem que isso afecte fortemente o monopólio privado da tomada de decisões.

No entanto, do jeito que vão as coisas, as relações de propriedade e a distribuição de poder e riqueza não mudarão significativamente, embora a era do neoliberalismo, vigente há uns trinta e cinco anos, seguramente será modificada de maneira significativa. Diga-se de passagem, ninguém sabe o quão grave essa crise poderá se tornar. Cada dia traz novas surpresas. Alguns economistas estão a prever uma verdadeira catástrofe. Outros pensam que ela pode ser consertada, com um transtorno modesto e uma recessão, que provavelmente será pior na Europa do que nos Estados Unidos. Mas ninguém sabe ao certo.

Na sua avaliação, veremos algo parecido com a depressão, com pessoas sem trabalho fazendo grandes filas para conseguir alimentos, nos Estados Unidos e na Europa? E, se isso ocorrer, veremos uma grande guerra para repor as economias em pé, uma terapia de choque ou algo tipo?

Chomsky: Não acredito que a situação seja comparável com o período da grande depressão, ainda que haja algumas semelhanças com essa época. Os anos 20 também foram um período de especulação selvagem e de uma enorme expansão de crédito e empréstimos, com a criação de uma enorme concentração de riqueza em um sector muito pequeno da população e a destruição do movimento sindical. Deste ponto de vista, há semelhanças com o período actual. Mas também há muitas diferenças. Existe um aparato muito mais estável de controle e regulação, resultante do New Deal, e ainda que se tenha enfraquecido, boa parte dele permanece intacto.

Além disso, há a compreensão de que os tipos de políticas, vistas como extremamente radicais no período do New Deal, hoje são mais ou menos normais. Assim, por exemplo, no recente debate presidencial dos EUA, John McCain, o candidato da direita, propôs medidas tomadas do New Deal para enfrentar a crise da habitação. Então, há a compreensão de que o governo deve assumir um papel importante na gestão da economia e, de facto, os sectores avançados da economia já vivem essa experiência há cerca de 50 anos.

Há muita mitologia que precisamos desmontar: Reagan foi o presidente mais proteccionista da história económica dos EUA do pós-guerra.

Chomsky: Muito do que se lê sobre isso é pura mitologia. Por exemplo, lemos que a crença apaixonada de Reagan no milagre dos mercados agora está a ser atacada. Atribuiu-se ao ex-presidente o papel de Grande Sacerdote da fé nos mercados. De facto, Reagan foi o presidente mais proteccionista da história económica dos Estados Unidos no pós-guerra. Ele aumentou as barreiras proteccionistas mais que todos os seus precursores juntos. Convocou o Pentágono a desenvolver projectos para treinar administradores norte-americanos nos métodos avançados de produção japoneses. Ele também operou um dos maiores salvamentos bancários da história norte-americana e conformou um conglomerado baseado no Estado para tratar de revitalizar a indústria de semicondutores. De facto, ele acreditava num governo poderoso, de intervenção radical na economia. Quando digo "Reagan" refiro-me à sua administração. O que ele acreditava sobre tudo isso, se é que acreditou em algo, realmente não sabemos e isso não é muito importante.

Há muita mitologia que precisamos desmontar, incluindo aí o que diz a respeito do grande crescimento e da redução da pobreza. Nos próprios Estados Unidos, quando se aplicaram as regras neoliberais, os resultados foram bastante daninhos para a maioria da população. Olhando para além da mitologia, podemos perceber que uma economia capitalista de Estado que, particularmente desde a Segunda Guerra Mundial, dependeu muito fortemente do sector estatal, agora está a voltar a depender do Estado para o manejo do sistema financeiro que se está a desmoronar. Por enquanto, não há sinais de que se produzirá algo parecido com o que ocorreu em 1929.

Então, você não considera que estamos a encaminhar-nos para uma mudança na ordem mundial?

Chomsky: Bom, há mudanças muito significativas na ordem mundial e esta crise talvez contribua para isso. Mas elas estão aí há algum tempo. Uma das principais mudanças na ordem mundial está a ser vivida agora na América Latina. Costuma-se dizer que a América Latina é o quintal dos EUA e que, há muito tempo, é uma região controlada pelos EUA. Mas isso está a mudar. Em meados de Setembro tivemos uma ilustração dramática disso.

No dia 15 de Setembro, ocorreu uma reunião da Unasul, a União das Nações Sul-americanas, da qual participaram todos os governos sul-americanos, incluindo a Colômbia, actual favorito dos EUA na região. A reunião foi realizada em Santiago, Chile, outro favorito dos EUA. Dela, saiu uma declaração muito contundente de apoio a Evo Morales, da Bolívia, e de rejeição aos sectores quase-secessionistas deste país, que contam com o apoio dos Estados Unidos.

Evo Morales respondeu, correctamente, que esta era a primeira vez em 500 anos que a América Latina havia tomado o seu destino nas suas próprias mãos.

Chomsky: Há uma luta muito significativa na Bolívia. As elites estão a mobilizar-se pela autonomia e mesmo pela secessão, gerando fortes níveis de violência com a evidente concordância dos EUA. Mas as repúblicas sul-americanas assumiram uma postura firme, em apoio ao governo democrático. A declaração foi lida pela presidente Bachelet, do Chile, uma favorita do Ocidente. Evo Morales respondeu agradecendo aos presidentes pelo apoio e assinalou, correctamente, que esta era a primeira vez em 500 anos que a América Latina havia tomado o seu destino nas suas próprias mãos, sem a interferência da Europa nem, sobretudo, dos EUA. Esse é um símbolo de mudança muito significativo que está em curso, às vezes chamado de "maré rosada". Foi tão importante que não foi reportado pela imprensa dos EUA. Há uma frase aqui, outra ali, que regista que algo aconteceu, mas suprimiram totalmente o conteúdo e a importância do que ocorreu.

Isso é parte de um processo de longo prazo, no qual a América do Sul está começando a superar os seus enormes problemas internos e também a sua subordinação ao Ocidente, principalmente em relação aos Estados Unidos. A América do Sul também está a diversificar as suas relações com o mundo. O Brasil tem relações cada vez maiores com a África do Sul, a Índia e, particularmente, a China, país cada vez mais envolvido com investimentos e intercâmbios com países latino-americanos. São processos extremamente importantes, que agora estão a começar a chegar também à América Central. Honduras, por exemplo, era a clássica república bananeira. Serviu de base para as guerras do terror perpetradas por Reagan na região e subordinou-se totalmente aos EUA. Mas Honduras somou-se recentemente a ALBA, a Alternativa Bolivariana para os Povos da América, proposta pela Venezuela. É um pequeno passo, mas não deixa de ser muito significativo.

Você acha que estas tendências na América do Sul, como Alba, Unasul e os grandes acontecimentos na Venezuela, Bolívia e outros países, podem ser afectados por uma crise económica da dimensão desta que estamos a enfrentar agora?

Chomsky: Bem, esses países serão afectados pela crise mas, no momento, não tanto como estão a ser a Europa e os Estados Unidos. Se olhamos o caso da Bolsa no Brasil, ela caiu muito rapidamente, mas os bancos brasileiros não estão a quebrar. Do mesmo modo, na Ásia, as bolsas estão a declinar agudamente, mas os governos não estão a assumir o controle dos bancos, como ocorre na Inglaterra, Estados Unidos e boa parte da Europa. Essas regiões, América do Sul e Ásia, de alguma maneira conseguiram separar-se das calamidades dos mercados financeiros. O que desatou a crise actual foram os empréstimos subprime para activos construídos sobre areia, e estes, claro, estão em mãos de norte-americanos e de bancos europeus. O facto de possuir activos tóxicos baseados em hipotecas envolveu-os muito rapidamente nestes acontecimentos. Além disso, os europeus têm as suas próprias crises de habitação, particularmente a Inglaterra e a Espanha.

A Ásia e a América Latina ficaram muito menos expostas por terem mantido estratégias de crédito mais cautelosas, particularmente a partir do descalabro neoliberal de 1997-1998. Um grande banco japonês, Mitsubishi UFG, acaba de comprar uma parte substancial do Morgan Stanley, nos EUA. Então, não parece, até agora, que a Ásia e a América Latina serão afectadas tão gravemente como Estados Unidos e Europa.

Você acredita que há uma grande diferença entre Obama e McCain no que diz respeito a temas como o Tratado de Livre Comércio e o Plano Colômbia? Na Colômbia, pode-se sentir que o presidente e os seus apoiantes estão assustados frente à eleição de Obama. Sei que você tem a sensação que Obama é como uma folha em branco, mas pensa que ela fará alguma diferença?

Chomsky: Com efeito, Obama tem se apresentado mais ou menos como uma folha em branco. Mas não há motivo para que o governo colombiano se assuste com a sua eleição. O Plano Colômbia é uma política de Clinton e há muitas razões para supor que Obama será outro Clinton. Ele é bastante impreciso, a propósito. Mesmo quando explicita políticas, elas parecem-se muito a políticas centristas, como Clinton, que modelou o Plano Colômbia e militarizou o conflito.

Tenho, às vezes, a sensação de que os períodos de Bush se deram num contexto de mudança da ordem mundial, tratando de manter o poder com o uso da força, e que, em troca, Obama pode representar a cara boa para renegociar a ordem mundial. Qual a sua opinião sobre isso?

Chomsky: É importante lembrar que o espectro político nos EUA é bastante estreito. É uma sociedade controlada pelas empresas, basicamente, é um Estado de partido único, com duas facções, democratas e republicanos. As facções têm algumas diferenças e estas, às vezes, são significativas. Mas o espectro é bastante estreito. A administração Bush, porém, situava-se bastante além do final do espectro, com nacionalistas radicais extremos, crentes extremos no poder do Estado, na violência no exterior e num alto gasto governamental. De facto, estavam tão fora do espectro que foram criticados duramente inclusive por parte do poder, desde os primeiros tempos.

Seja quem for que assuma o mandato, é provável que desloque o tabuleiro político para o centro do espectro. Obama talvez faça isso em maior medida. Diria que, no caso de Obama, haverá algo como um renascimento dos anos Clinton, adaptado certamente às novas circunstâncias.

Agora que estamos a chegar ao fim da globalização neoliberal, existe a possibilidade de algo realmente novo, uma globalização boa?

Chomsky: Penso que as perspectivas hoje estão muito melhores do que estavam antes. O poder está extraordinariamente concentrado, mas há mudanças à medida que a economia internacional se torna mais diversificada e complexa. O Sul está a tornar-se mais independente. Mas, se olhamos para os EUA, mesmo com todo o dano causado por Bush, continua a ser a maior economia homogénea, com o maior mercado interno, a força militar mais forte e tecnologicamente mais avançada, com gastos anuais comparáveis aos do resto do mundo combinados e com um arquipélago de bases militares espalhadas pelo mundo. Estas são fontes de continuidade, mesmo que a ordem neoliberal esteja a sofrer uma erosão dentro dos EUA, na Europa e internacionalmente, com um crescimento da oposição a ela. Então, há oportunidades para uma mudança real. Até onde essa mudança pode chegar, isso depende da gente e daquilo que estamos dispostos a empreender. "

07-Dez-2008

Tradução: Katarina Peixoto

* Simone Bruno, jornalista italiana radicada na Colômbia.

in.
ESQUERDA.NET

Sexta-feira, Junho 12, 2009

A doutrina do Shock - Naomi Klein

A ordem criminosa do mundo




Novo vídeo na coluna da direita.

PODE SER VISTO AQUI

Domingo, Maio 24, 2009

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Quarta-feira, Maio 20, 2009

"Desculpem a moléstia"- Eduardo Galeano

Segundo a revista Foreign Policy, a Somália é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas pela suas actividades? Por que o mundo premia os que o saqueiam? Por que a justiça é cega de um único olho?
Artigo de Eduardo Galeano
Quero compartilhar com vocês algumas perguntas, moscas que zumbem na minha cabeça:

O sapatista do Iraque, o que jogou os sapatos contra Bush, foi condenado a três anos de prisão. Não merecia, na verdade, uma condecoração?

Quem é o terrorista? O sapatista ou o sapateado? Não é culpado de terrorismo o serial killer que, mentindo, inventou a guerra do Iraque, assassinou a um montão de gente, legalizou a tortura e mandou aplicá-la?

São culpados os habitantes de Atenco, no México, ou os indígenas mapuches do Chile, ou os kekchies da Guatemala, ou os camponeses sem terra do Brasil, todos acusados de terrorismo por defenderem o seu direito à terra? Se sagrada é a terra, mesmo se a lei não o diga, não são sagrados também os que a defendem?

Segundo a revista Foreign Policy, a Somália é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas actividades?

Porque o mundo premeia os que o saqueiam?

Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais poderosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald's, também. Por que estas empresa violam, com delinquente impunidade, a lei internacional? Será que é por que no mundo do nosso tempo o trabalho vale menos do que o lixo e valem menos ainda os direitos dos trabalhadores?

Quem são os justos e quem são os injustos? Se a justiça internacional realmente existe, por que não julga nunca aos poderosos? Não são presos os autores dos mais ferozes massacres? Será que é porque são eles que têm as chaves das prisões?

Por que são intocáveis as cinco potências que tem direito de veto nas Nações Unidas? Esse direito tem origem divina? Velam pela paz os que fazem o negócio da guerra? É justo que a paz mundial esteja a cargo das cinco potências que são as cinco principais produtoras de armas? Sem desprezar os narcotraficantes, este também não é um caso de "crime organizado"?

Mas não pedem castigo contra os senhores do mundo os clamores dos que exigem, em todos os lugares, a pena de morte. Só faltava isso. Os clamores clamam contra os assassinos que usam navalhas, não contra os que usam mísseis.

E a gente se pergunta: já que esses justiceiros estão tão loucos de vontade de matar, por que não exigem a pena de morte contra a injustiça social? É justo um mundo em que a cada minuto destina três milhões de dólares aos gastos militares, enquanto a cada minuto morrem quinze crianças por fome ou doença curável? Contra quem se arma, até os dentes, a chamada comunidade internacional? Contra a pobreza ou contra os pobres?

Por que os adeptos fervorosos da pena de morte não exigem a pena de morte contra os valores da sociedade de consumo, que quotidianamente atentam contra a segurança pública? Ou por acaso não convida ao crime o bombardeio de publicidade que aturde milhões e milhões de jovens desempregados ou mal pagos, repetindo para eles dia e noite que ser é ter, ter um automóvel, ter sapatos de marca, ter, ter, e que, quem não tem, não é?

E por que não se implanta a pena de morte contra a pena de morte? O mundo está organizado a serviço da morte. Ou não fabrica a morte a indústria militar, que devora a maior parte dos nossos recursos e boa parte das nossas energias? Os senhores do mundo só condenam a violência quando são outros os que a exercem. E este monopólio da violência traduz-se num facto inexplicável para os extraterrestres e também insuportável para os terrestres que ainda queremos, contra toda evidência, sobreviver: os humanos somos os únicos especializados no extermínio mútuo e desenvolvemos uma tecnologia da destruição que está a aniquilar, de passagem, o planeta e todos os seus habitantes.

Esta tecnologia alimenta-se do medo. É o medo que fabrica os inimigos que justificam o desperdício militar e policial. E em vias de implantar a pena de morte, que tal se condenamos à morte o medo? Não seria saudável acabar com essa ditadura universal dos assustadores profissionais? Os semeadores de pânico nos condenam à solidão, nos proíbem a solidariedade: salve-se quem puder, destruam-se uns aos outros, o próximo é sempre um perigo que se aproxima, olho, cuidado, esse cara vai-te roubar, aquele vai-te violar, este carrinho de bebé esconde uma bomba muçulmana e se essa mulher te olha, essa vizinha de aspecto inocente, certamente vai-te contagiar com a gripe suína.

No mundo de cabeça para baixo, dão medo até os mais elementares actos de justiça e de bom senso. Quando o presidente Evo Morales começou a refundação da Bolívia, para que esse país de maioria indígena, deixasse de ter vergonha de olhar no espelho, provocou pânico. Este desafio era catastrófico do ponto de vista da ordem racista tradicional, que dizia que era a unida ordem possível. Evo era, trazia o caos e a violência e por sua culpa a unidade nacional ia explodir em pedaços. E quando o presidente equatoriano Rafael Correa anunciou que se negava a pagar as dívidas não legítimas, a notícia produziu terror no mundo financeiro e o Equador foi ameaçado com terríveis castigos, por estar a dar um tão mau exemplo. Se as ditaduras militares e os políticos ladrões foram sempre mimados pelos bancos internacionais, não nos acostumamos já a aceitar como fatalidade do destino que o povo pague o garrote que o golpeia e a cobiça que o saqueia?

Mas será que se divorciaram para sempre o bom senso e a justiça? Não nasceram para andar juntos, bem pegadinhos, o bom senso e a justiça?

Não é de bom senso, e também de justiça, esse lema das feministas que dizem que se nós, os machos, ficássemos grávidos, o aborto seria livre? Por que não se legaliza o direito ao aborto? Será por que então deixaria de ser o privilégio das mulheres que podem pagá-lo e dos médicos que podem cobrá-lo?

O mesmo acontece com outro escandaloso caso de negação da justiça e do bom senso: por que não se legalizam as drogas? Por acaso não se trata, como no caso do aborto, de uma questão de saúde publica? E o país que tem mais drogados, que autoridade moral tem, que autoridade moral tem para condenar os que abastecem a sua procura? E por que os grandes meios de comunicação, tão consagrados à guerra contra o flagelo da droga, não dizem nunca que provém do Afeganistão quase toda a heroína que se consome no mundo? Quem manda no Afeganistão? Não é esse um país ocupado militarmente pelo país messiânico que se atribui a missão de salvar a todos nós?

Por que não se legalizam as drogas pura e simplesmente? Não será por que elas dão o melhor pretexto para as invasões militares, além de brindar os mais suculentos lucros aos bancos que de noite trabalham como lavandarias?

Agora o mundo está triste porque se vendem menos carros. Uma das consequências da crise mundial é a queda da próspera indústria automobilística. Se tivéssemos algum resto de bom senso e um pouquinho de sentido de justiça, não teríamos que celebrar essa boa noticia? Ou por acaso a diminuição de automóveis não é uma boa notícia, do ponto de vista da natureza, que estará um pouquinho menos envenenada e dos pedestres, que morrerão um pouco menos?

Segundo Lewis Carroll, a Rainha explicou a Alice como funciona a justiça no país das maravilhas:

- Ai você tem - disse a Rainha. Está presa cumprindo a sua condenação, mas o processo só vai começar na segunda-feira. E, claro, o crime será cometido no final.

Em El Salvador, o arcebispo Oscar Arnulfo Romero comprovou que a justiça, como a serpente, só morde os descalços. Ele morreu baleado, por denunciar que no seu país os descalços nasciam condenados de antemão, pelo delito de nascimento.

O resultado das recentes eleições em El Salvador não é de alguma forma uma homenagem? Uma homenagem ao arcebispo Romero e aos milhares que como ele morreram lutando por uma justiça justa no reino da injustiça?

Às vezes acabam mal as historias da História, mas ela, a História, não acaba. Quando diz adeus, está a dizer até logo.

Tradução: Emir Sader


Artigo publicado em Carta Maior
GALEANO,Eduardo, in Esquerda.net

Domingo, Março 15, 2009

A VERDADEIRA HISTORIA DO CLUBE BILDERBERG

Daniel Estulin -A Verdadeira Historia do Clube BILDERBERG

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

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in. Jumento.(25 de Janeiro de 2009)

Domingo, Outubro 05, 2008

Crise Financeira - O que se pode fazer com us$700 mil milhões

"O Congresso dos EUA acaba de dar outra facada ao aprovar na sexta-feira o gigantesco pacote de salvalmento bancário. Mas de quanto dinheiro se está a falar? A Spiegel Online dá-lhe uma ideia. 


1: O que se pode fazer com US$700 mil milhões 
Quanto dinheiro significa isto? Muitas pessoas ficam confusas ao verem números com mais de seis zeros. A dádiva proposta pelo governo Bush-Paulson e aprovada sexta-feira pelo Congresso dos EUA – para evitar bancarrotas em série tão grandes como a do banco Lehman Brothers – tem 11 zeros. Este montante, além de salvar banqueiros insolventes, poderia ser utilizado em muitas outras coisas. A revista 
Spiegel Online elaborou uma lista de possibilidades. Eis algumas delas: 

2: Pagar os salários de 22 milhões de pessoas 
U$700 mil milhões seriam suficientes para pagar o salário médio anual a 22 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o pagamento médio por uma semana de trabalho foi de US$612 em Agosto último. 

3: Estabelecer cobertura de saúde universal 
Os EUA poderiam finalmente estabelecer seguro de saúde universal, um objectivo que até agora foi constantemente evitado pelos políticos. O governo poderia financiar até seis anos de seguro de saúde para cada um e todos os ciadadãos estado-unidenses. 

4: Comprar um sistema de comunicações para serviços médicos de emergência 
Washington poderia comprar um sistema de comunicações uniforme para todos os serviços de emergência médica do país, que é urgentemente necessário, mais de 47 vezes. Estimativas estabelecem o preço de um tal sistema em torno dos US$15 mil milhões. 

5: Construir barreiras em torno de Nova Orleans 
O projecto para fortalecer as barreiras em torno de Nova Orleans poderia realmente ser pago mais de uma centena de vezes. Desde o Furacão Katrina, o governo gastou cerca de US$7 mil milhões em tais esforços. 

6: Comprar a Dinamarca – Duas vezes [NR] 
US$700 mil milhões é suficiente para financiar as economias de países inteiros. A soma considerada pelo Congresso é mais do que o dobro do produto interno da Dinamarca, o qual em 2007 foi cerca de US$312 mil milhões. 

7: Financiar todo o orçamento nacional da Alemanha durante mais de um ano 
Projecções estabelecem o orçamento nacional da Alemanha para 2009 em €288 mil milhões, os quais, às actuais taxas de câmbio, resultam em cerca de US$420 mil milhões. Com esta soma de dinheiro seria possível financiar o país durante 1,6 anos. 

8: Combater a pobreza em África durante 10 anos 
Este montante de dinheiro poderia financiar programas da ONU para combater a fome e pobreza em África durante 10 anos. De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o continente precisa de US$72 mil milhões por ano de ajuda ao desenvolvimento. 

9: Financiar todas as operações de inteligência dos EUA durante 15 anos 
O governo dos EUA poderia financiar todas as suas 16 agências de inteligência durante mais de 15 anos. Actualmente o custo anual somado das mesmas, incluindo 100 mil empregados, sistemas de comunicações, equipamento de reconhecimento e armas totaliza cerca de US$44 mil milhões. 

10: Lançar múltiplos "New Deals" 
Franklin Dellano Roosevelt ficaria verde de inveja. Seu "New Deal" da década de 1930, inigualável até agora como programa de crescimento, poderia ser financiado muitas vezes mais. Segundo o 
Wall Street Journal, os investimento de infraestrutura do programa custariam cerca de US$250 mil milhões em dólares de hoje. Estes investimentos ajudaram a construir ou renovar 8000 parques, 40 mil edifícios públicos e 71 mil escolas. 

11: Salvar a Terra (ao invés de bancos) 
Ao invés de ajudar bancos, US$700 mil milhões poderiam ser utilizados para salvar o ambiente. Esta, pelo menos, é a opinião de M. A. Sanjayan, cientista principal do grupo de protecção ambiental The Nature Conservancy. Embora os dados dos institutos de investigação variem consideravelmente quanto à quantia precisa que seria necessária para por o ambiente de novo numa base saudável, todos concordam em que US$700 mil milhões dava para um longo caminho. 

12: Permanecer no Afeganistão e no Iraque por mais sete anos 
Os números de Washington mostram quão absurdamente caras podem ser as guerras. Desde a invasão do Iraque, os EUA gastaram aproximadamente US$648 mil milhões na guerra. A níveis actuais de despesa, US$700 mil milhões seriam suficiente para travar as guerra no Iraque e no Afeganistão durante mais sete anos. 

13: Voar para a Lua, repetidamente 
A quantia também seria suficiente para financiar quatro missões diferentes de voos tripulados para a Lua. O programa "Apolo" da NASA, durante a década de 1960, custou cerca de US$164 mil milhões em dólares de hoje. O dinheiro também poderia comprar sete estações internacionais no espaço.


[NR] Ou comprar Portugal – três vezes. O PIB português de 2007 foi de €162.756,1 milhões, o que equivale a US$233.805 milhões à cotação actual. "





Original: Der Spigel